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Ninguém pode invalidar o seu diagnóstico

  • Foto do escritor: Liliam Cristina da Cruz Alves
    Liliam Cristina da Cruz Alves
  • 11 de jun. de 2023
  • 2 min de leitura

Meu diagnóstico tardio me fez viver situações de extrema tortura emocional ao longo de uma vida tentando ser "normal". Quantas vezes passei mal por conta de luzes e ruídos intensos, aglomerações, pessoas falando ao mesmo tempo, alta demanda no trabalho? Tive dificuldades por causa de seletividade alimentar na infância e rigidez cognitiva que me acompanha até o momento. Hoje já tenho um repertório de ditados populares, mas nunca foi fácil entender piadas e metáforas. Eu até que aprendi bem a usar, mas quando uso nem todo mundo entende. Tenho manias que nunca entendi, não suporto passar manteiga no pão, cortar um frango ou vestir roupas com etiquetas. Socialmente sempre fui estranha, ou extremamente eufórica, usando masking, ou apática cansada de provar pra todo mundo quem sou. Não gosto de tocar ou abraçar estranhos e tenho vários hiperfocos que não podem ser o tema de uma roda de conversa simplesmente porque ninguém sabe do que estou falando. Não tenho amigos presenciais, todos são antigos herdados da infância e adolescência e com quem interajo sempre pela Internet. Minha comunicação é falha, sai melhor escrevendo do que falando e tenho uma memória muito seletiva que me faz esquecer tudo o que não gosto, não tenho interesse ou me causa incômodo. Também tenho dificuldade séria de reconhecer rostos e isso me causa constrangimento o tempo todo. Não gosto de comer com estranhos. Não gosto de festas ou confraternizações. Essas coisas todas e mais algumas que não falei aqui muitas vezes são responsáveis por me adoecerem. Meu corpo reage quando forço a barra socializando ou me adequando. Tem muito mais, mas já deu pra ver que de leve, o nível 1 de suporte não tem nada. Respeito, é só isso que precisamos.

 
 
 

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