A solidão dos autistas adultos
- Liliam Cristina da Cruz Alves

- 27 de jul. de 2023
- 2 min de leitura

Eu criei o perfil @quandomeviautista no Instagram há cerca de 9 meses e venho estudando o Transtorno do Espectro Autista há quase um ano sem parar. Foi um estudo por necessidade que acabou virando um hiperfoco. Necessidade porque passei por muitos profissionais de saúde mental, sem que nenhum tivesse suspeitado do meu diagnóstico e hiperfoco porque sou autista.
É preciso repetir que a grande maioria dos profissionais da área de saúde mental está desatualizada quando se trata do TEA, especificamente. Não há especialistas disponíveis nos planos de saúde e os generalistas são resumidos nas suas consultas, que em geral duram 10 minutos, e rápidos em prescrever medicamentos.
A nossa solidão começa aí e esbarra na oferta de informação sobre autistas adultos e diagnóstico tardio.
Somos nós, geralmente, sozinhos que, cansados de tanto sofrimento, acabamos identificando nossas características e buscando o diagnóstico.
Este perfil é fruto do meu estudo e das minhas experiências recém descobertas como pessoa autista, o conteúdo aqui depende totalmente de leituras, dados e informações já publicadas, mas depois desse curto período percebo que quase não encontro material novo ou temas atualizados focados especialmente no autista adulto.
Como cada autista é único, não posso escrever um texto muito pessoal para validar sinais de autismo porque ele pode não representar demais autistas, mas desconcertantemente não encontro tanta literatura científica ou para leigos sobre TEA adulto.
Essa é a prova da grande invisibilidade da nossa condição em um mundo predominantemente neurotípico. Mas o mundo não precisa ser de um jeito só. Cada ser humano, cada grupo tem vivências individuais e verdades individuais importantes.
Nós, autistas adultos, enfrentamos um sentimento de solidão até mesmo entre os atípicos, pois estamos todos descobrindo caminhos sozinhos e desbravando como podemos a nossa própria realidade.
A subnotificação de diagnósticos tardios é uma situação difícil que impacta vidas. Autistas no nível 1 de suporte convivem com o rótulo de excêntricos demais para serem "normais" e normais demais para serem autistas. Estamos num limbo social.
Além da dificuldade absurda de se obter um diagnóstico, pois é caro, demorado e muitas vezes inacessível na rede pública, muitos autistas não tem suporte nem das famílias e quando conseguem o diagnóstico são excluídos, enfrentam preconceito e capacitismo. Então não deveria ser surpresa preferirmos o isolamento por autodefesa. Porque o mundo excludente não está preparado para nos abraçar. Tudo isso resulta em solidão e muitas vezes em depressão e suicídio. Fica o alerta e o chamamento para a luta.
.png)



Comentários